”Vontades se esvaem e tudo é tão depressa que, quando acordamos, já terminou, os anos se passaram e nada foi.” (Os Famosos E Os Duendes Da Morte)
Sou a cadeia de minhas tristezas, presas em cárcere perpétuo. Presas, mas vivas, sem condenação fúnebre; mesmo que quisesse, não consigo apagá-las. Estão retidas umas às outras, somando sofrimento à rotina tediosa. Sobressaltam ao acréscimo de novo pesar e juntas todas lamentam alto, cada uma sua aflição. Já triste, renovo a angústia de tempos remotos e intensifico a descrença em uma vida melhor.
(via saidajanela)
Suspeito de todos e desconfio de seus pensamentos, aquilo que não me dirão mesmo que eu pergunte, as respostas carinhosas e forjadas. Desacredito de tudo e neles, não entendo a aceitação da minha presença. Penso que me odeiam em reserva, que fingem comportamentos gentis. Vejo seus olhos quando, de encontro ao meu, procuram o chão; sinto o desânimo quando chego. Talvez se arrependam do momento sociável, da escolha mal feita, do estorvo em aturar minha companhia. Consigo vê-los planejando fuga, evitando a obrigação que eu me tornei.
(via saidajanela)
Me tornei tão sofrida que me irrito com meu próprio caminhar, com infortúnios maiores que os meus e meus choramingos destoantes, por maldizer tanto mais do que eu bendigo algo. Fiquei assim, tão ranzinza com a vida que chego a crer que devesse sofrer mais desventuras para equilibrar a balança de reclamações e desgraças. Na verdade, as coisas não andam tão mal, eu que ando meio besta.
(via saidajanela)
Tendo posto de lado a vida mansa, amarrou-se em obrigações servis. Servia às ordens, cumpria horários, sem autonomia qualquer de ideia. Temia esquecer como pensar por si próprio, enquanto trilhava os caminhos necessários para atingir um sonho.
(via velhaeloouca)